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ARTIGO ESPECIAL

Idioma grego: análise da etimologia anatomocardiológica: passado e presente

Georges BezasI; Alexandre Lins WerneckII

DOI: 10.5935/1678-9741.20120050

RESUMO

INTRODUÇÃO: O idioma grego, base para a criação do idioma latino, está muito presente na terminologia anatômica. Muitos trabalhos buscam analisar etimologicamente os termos provindos do idioma grego. Na maioria destes, os termos aparecem definidos conforme o entendimento etimológico dos respectivos autores da época de sua criação. Portanto, é possível que os termos atualmente utilizados não estejam condizentes com sua origem no idioma grego antigo.
MÉTODOS: Foram selecionados termos anatomocardiológicos derivados do idioma grego que constam da terminologia anatômica internacional. A análise etimológica foi realizada por meio dos radicais mais primitivos que compõem os termos. Os termos anatomocardiológicos atualmente utilizados na Grécia e no Brasil foram comparados aos radicais originários do idioma grego antigo. Utilizou-se a decomposição morfológica dos radicais, prefixos e sufixos e verificou-se o emprego dos mesmos em léxicos e textos do idioma grego antigo.
RESULTADOS: Foi feita uma lista com 30 termos anatomocardiológicos derivados do idioma grego e componentes da terminologia anatômica internacional. Os termos constam na forma que foram padronizados no Brasil, no inglês, no idioma grego moderno e os radicais do idioma grego antigo que os originaram.
CONCLUSÃO: Muitos trabalhos tratam da verdadeira origem das palavras (etimologia), porém, a maioria não retorna aos radicais originários ou não os relaciona com seu emprego em textos do idioma grego antigo. Ao comparar as maiores obras mundiais relativas à etimologia dos termos gregos, o presente trabalho esclarece as divergências entre a verdadeira origem dos termos anatomocardiológicos e as origens mais aceitas hoje no Brasil pelos profissionais da saúde.

ABSTRACT

INTRODUCTION: The Greek language, the root of most Latin anatomical terms, is deeply present in the Anatomical Terminology. Many studies seek to analyze etymologically the terms stemming from the Greek words. In most of these studies, the terms appear defined according to the etymological understanding of the respective authors at the time of its creation. Therefore, it is possible that the terms currently used are not consistent with its origin in ancient Greek words.
METHODS: We selected cardiologic anatomical terms derived from Greek words, which are included in the International Anatomical Terminology. We performed an etymological analysis using the Greek roots present in the earliest terms. We compared the cardiologic anatomical terms currently used in Greece and Brazil to the Greek roots originating from the ancient Greek language. We used morphological decomposition of Greek roots, prefixes, and suffixes. We also verified their use on the same lexicons and texts from the ancient Greek language.
RESULTS: We provided a list comprising 30 cardiologic anatomical terms that have their origins in ancient Greek as well as their component parts in the International Anatomical Terminology. We included the terms in the way they were standardized in Portuguese, English, and Modern Greek as well as the roots of the ancient Greek words that originated them.
CONCLUSION: Many works deal with the true origin of words (etymology) but most of them neither returns to the earliest roots nor relate them to their use in texts of ancient Greek language. By comparing the world's greatest studies on the etymology of Greek words, this paper tries to clarify the differences between the true origin of the Greek anatomical terms as well as the origins of the cardiologic anatomical terms more accepted today in Brazil by health professionals.

ABREVIAÇÕES E ACRÔNIMOS

a C.: Antes de Cristo

I.G.: Idioma Grego

I.G.A.: Idioma Grego Antigo

I.G.M.: Idioma Grego Moderno

NA: Nomina Anatomica

PNA: Parisiensia Nomina Anatomica

INTRODUÇÃO

Anatomia Humana é a área das ciências médicas que trata da disposição, forma e situação dos órgãos do ser humano, assim como da dissecação do corpo com o objetivo de estudar suas diversas partes. Designa todas as partes do corpo humano para fins didáticos. É um ramo independente das ciências médicas e essencial para que os fatos clínicos possam ser compreendidos. Anatomocardiológica é utilizado para designar os termos da anatomia relacionados ao coração. A palavra análise provém do idioma grego e, desde a Grécia antiga, significa "descrição de uma situação ou de um objeto em seus elementos mais simples. Tem como finalidade resolver, esclarecer a situação ou o objeto por meio da dissolução do todo em suas partes menores" [1]. Etimologia é o estudo da origem das palavras. Estuda as fontes das palavras remontando-se aos vocábulos que as originaram, podendo também ser interpretada como estudo da origem das palavras [2].

O Idioma Grego (I.G.), base para a criação do idioma latino [3], é muito presente na cunhagem de termos de anatomia. A língua falada pelo povo grego provém de um idioma pré-histórico, o Indo-europeu, que na verdade é um idioma hipotético, sustentado somente por indícios pouco documentados [3]. Esse idioma surge em determinado período da antiguidade quando povos provindos da Índia se unem a outros que já habitavam parte da Europa. Historicamente conclui-se que, com a convivência, esses povos desenvolveram laços estreitos e um idioma quase comum [3,4]. As diferenciações e peculiaridades do idioma grego, porém, começaram a se desenvolver logo após o afastamento do povo grego (os hellenos) dos demais povos indo-europeus. Isso, provavelmente, ocorreu durante o terceiro milênio a C., pois, há pelo menos 2000 anos a C. os gregos já habitavam seu território, o qual chamaram de Elláda [3,4], conhecida no Brasil como República Helênica ou Grécia.

Outros idiomas mais antigos anteriores ao grego e falados no mesmo território representaram um substrato linguístico de pequena importância para o I.G. Esse fato é evidenciado pelos fatores glossológicos existentes nesse idioma, não encontrados em nenhum outro [3,4]. O I.G., apesar de ter sido o idioma antigo que menos sofreu modificações no decorrer dos séculos, não é fonética ou gramaticalmente idêntico ao grego moderno, possivelmente ocorrendo desvios etimológicos nos termos derivados do idioma grego. No Brasil, a padronização dos termos ocorreu conforme a Parisiensia Nomina Anatomica (PNA) de 1955, que mais tarde, em 1965, foi referida como Nomina Anatomica (NA), dando origem em 1998 ao novo corpus de termos anatômicos chamado Terminologia Anatômica. Desde a aprovação desse novo corpus, há uma busca constante por um consenso, tendo sido revisado, ampliado e modificado quatro vezes [5].

Em muitos trabalhos similares a este, os termos aparecem definidos conforme o entendimento etimológico tido pelos autores na época de sua criação no exterior. Dessa forma, as definições etimológicas dos termos atualmente utilizados nem sempre são condizentes com sua origem, o idioma grego antigo (I.G.A.).

O objetivo do presente trabalho é fazer uma análise da etimologia anatomocardiológica dos termos derivados do idioma grego, por meio de seus radicais mais antigos, e compará-la à definição etimológica dada aos mesmos atualmente na Grécia e no Brasil.

 

MÉTODOS

Como critério inicial, foram selecionados para análise os termos anatomocardiológicos derivados do idioma grego que constam na terminologia anatômica internacional. Foram excluídos os termos derivados do Latim. Uma análise etimológica foi realizada por meio dos radicais mais primitivos que compõem os termos, retornando às origens no I.G.A. e relacionando-os aos termos atualmente utilizados na Grécia e no Brasil, nas respectivas terminologias anatômicas.

Em função da antiguidade do idioma, também foi necessário verificar o emprego dos termos em diversas fases da história e analisá-los conforme o significado deixado pelos respectivos textos e passagens, fazendo, por fim, um cruzamento das informações. Por isso, um critério para a escolha das fontes foi a diversidade bibliográfica para análise, ao reunir as formas de emprego dos termos em diversas áreas do conhecimento. Foram utilizados livros de etimologia e dicionários gregos não traduzidos no Brasil, de escritores e professores gregos [3,6,7], dicionário e literatura filosófica [1,8], dicionários etimológicos de autores brasileiros [9-15], dicionários etimológicos americanos [16,17] e franceses [18,19] do meio acadêmico específico, literatura de história do idioma grego [4], literatura traduzida sobre épocas, fatos e pessoas da Grécia Antiga [20-23] e artigos específicos sobre etimologia [24-26].

A fim de obter a origem correta dos termos, sua grafia no idioma grego também foi considerada, uma vez que a análise linguística é fundamental para diferenciar os significados etimológicos. Verificou-se o emprego dos termos estudados por meio de citações relacionadas às fontes mais antigas, dos épicos de Homero às citações de Aristóteles, e compararam-se os mais reconhecidos léxicos e enciclopédias etimológicas internacionais, incluindo as fontes gregas, com os demais trabalhos brasileiros. Desconsiderou-se a tradução dada na época da criação dos termos que, na maioria das vezes, ocorreu fora da Grécia. Utilizou-se para isso a decomposição morfológica dos radicais, prefixos e sufixos e verificou-se o emprego dos radicais em textos do I.G.A.

 

RESULTADOS

Segue a lista dos termos analisados:

Obs: I.G.A. = Idioma Grego Antigo; I.G.M. = Idioma Grego Moderno

Termo padronizado no Brasil: ANASTOMOSE

Inglês: Anastomosis

Termo(s) no I.G.A.: αναστοµώ(v.) (pronúncia - anastomô) - de ανα "para cima, repetidamente" e στόµα "boca"

Termo correspondente no I.G.M.: αναστόµωση (pronúncia - anastómossi)

Termo padronizado no Brasil: ANATÔMICO

Inglês: Anatomical

Termo(s) no I.G.A.: ανα (pronúncia aná) / τέµνω(v.) (pronúncia - témno)

Termo correspondente no I.G.M.: ανατοµικός (pronúncia - anatomicôs)

Termo padronizado no Brasil: ANGIOLOGIA - ANGIO

Inglês: Angiology - Angio

Termo(s) no I.G.A.: άγγος (pronúncia - angós) / λόγος (pronúncia - lógos)

Termo correspondente no I.G.M.: αγγειολογια (pronúncia - anguiologuía) / αγγείο (pronúncia - anguío) / λόγος (pronúncia - lógos)

Termo padronizado no Brasil: AORTA

Inglês: Aorta

Termo(s) no I.G.A.: αείρω(v.) (pronúncia - aíro) 'elevo, ligo, encaixo, penduro'

Termo correspondente no I.G.M. : αορτή (pronúncia - aortí)

Termo padronizado no Brasil: ARTÉRIA

Inglês: Arteria

Termo(s) no I.G.A.: αρτώ(v.) (pronúncia - artô) "penduro, seguro ao alto"

Termo correspondente no I.G.M.: αρτηρία (pronúncia - artiría)

Termo padronizado no Brasil: AUTÔNOMO

Inglês: Autonomous

Termo(s) no I.G.A.: αυτόνοµος (pronúncia - aftônomos) "regido por leis próprias"

Termo correspondente no I.G.M.: αυτόνοµος (pronúncia - aftônomos)

Termo padronizado no Brasil: BRONCO- (MEMBRANA BRONCOPERICÁRDICA)

Inglês: Broncho

Termo(s) no I.G.A.: βρόχω (pronúncia aproximada - bróco) "engolo, devoro"

Termo correspondente no I.G.M.: βρόγχος (pronúncia aproximada - vrôncos)

Termo padronizado no Brasil: CARDÍA - CARDIO-

Inglês: Cardio-

Termo(s) no I.G.A.: καρδία (pronúncia - cardía) "coração"

Termo correspondente no I.G.M.: καρδιά (pronúncia - cardiá)

Termo padronizado no Brasil: CIRÚRGICO

Inglês: Surgical

Termo(s) no I.G.A.: χειρ- (pronúncia aproximada - quir) "mão" / εργον (pronúncia - érgon) "trabalho" / -ικος (pronúncia - ikos) "relativo a"

Termo correspondente no I.G.M.: χειρουργικός (pronúncia - quirurguikôs)

Termo padronizado no Brasil: CLÍNICO

Inglês: Clinical

Termo(s) no I.G.A.: κλίνη (pronúncia - clíni) "leito de hospital" / -ικος (pronúncia - ikos) "relativo a"

Termo correspondente no I.G.M.: κλινικός (pronúncia - klinikôs)

Termo padronizado no Brasil: CORONARIA

Inglês: Coronary

Termo(s) no I.G.A.: κορώνη (pronúncia - korôni) "recurvo"

Termo correspondente no I.G.M.: stefaniaia (pronúncia: stefaniéa)

Termo padronizado no Brasil: DIAFRAGMA (DIAFRAGMÁTICO)

Inglês: Diaphragma

Termo(s) no I.G.A.: διαφράσω (pronúncia 'diafrásso') "bloqueio, faço barreira"

Termo correspondente no I.G.M.: διάφραγµα (pronúncia 'diáfragma')

Termo padronizado no Brasil: EMBOLIA (EMBOLIFORME)

Inglês: Embolism

Termo(s) no I.G.A.: εµβάλλω (pronúncia - embálo) "coloco para dentro" / forme (termo Latino)

Termo correspondente no I.G.M.: έµβολο (pronúncia - ênvolo)

Termo padronizado no Brasil: ENDOCÁRDIO

Inglês: Endocardium

Termo(s) no I.G.A.: ένδον (pronúncia - endós) "dentro"/ καρδία (pronúncia - kardía) "coração"

Termo correspondente no I.G.M.: ενδοκάρδιο (pronúncia - endokárdio)

Termo padronizado no Brasil: ENDOTELIO

Inglês: Endothelium

Termo(s) no I.G.A.: ένδον (pronúncia - endós) "dentro" / (επι)θηλή (pronúncia - thilí) "mamilo"

Termo correspondente no I.G.M.: ενδοθήλιο (pronúncia - endothílio)

Termo padronizado no Brasil: ENDOTORÁCICA

Inglês: Endothoracic

Termo(s) no I.G.A.: ένδον (pronúncia - endós) / θώραξ (pronúncia - thórax) "armadura"

Termo correspondente no I.G.M.: ενδο/ωραχικο (pronúncia: endothorachikô)

Termo padronizado no Brasil: EPITÉLIO

Inglês: Epithelium

Termo(s) no I.G.A.: επί (pronúncia - epí) / θήλιο (pronúncia - thílio) "mamilo"

Termo correspondente no I.G.M.: επιθήλιο (pronúncia - epithílio)

Termo padronizado no Brasil: ESPLÂNCNICO

Inglês: Splanchno

Termo(s) no I.G.A.: σπλάγχνο (pronúncia - splâncno) "víscera"

Termo correspondente no I.G.M.: σπλαγχνικός (pronúncia - splancnikôs)

Termo padronizado no Brasil: FRÊNICO

Inglês: Phrenico

Temo(s) no I.G.A.: φρην (pronúncia: frin) "mente"

Termo correspondente no I.G.M.: φρένες (pronúncia: frénes)

Termo padronizado no Brasil: GÂNGLIO

Inglês: Ganglion

Termo(s) no I.G.A.: γαγγλίον (pronúncia - ganglíon) "etimologia incerta"

Termo correspondente no I.G.M.: γάγγλιο (pronúncia - gânglio)

Termo padronizado no Brasil: HISTOLÓGICO

Inglês: Histological

Termo(s) no I.G.A.: ιστός (pronúncia - istós) "tecido" / λόγος (pronúncia - logos) "tratado, discurso"

Termo correspondente no I.G.M.: ιστολογικός (pronúncia - istologuikôs)

Termo padronizado no Brasil: ISTMO (ISTMO DA AORTA)

Inglês: Isthmus

Termo(s) no I.G.A.: ιθµός (pronúncia - ithmós) "passagem estreita"

Termo correspondente no I.G.M.: ισθµός (pronúncia - isthmós)

Termo padronizado no Brasil: LINFA (LINFÁTICO - LINFONODOS)

Inglês: Lymph

Termo(s) no I.G.A.: νύµφη (pronúncia: nínfi) "ser mitológico"

Termo correspondente no I.G.M.: νύµφη (pronúncia: nínfi)

Termo padronizado no Brasil: LOBO (ARTÉRIAS LOBARES - ARTÉRIA LOBAR MÉDIA)

Inglês: Lobus

Termo(s) no I.G.A.: λοβός (pronúncia - lovôs) "saliências arredondadas separadas por uma fissura ou um corte"

Termo correspondente no I.G.M.: λοβός (pronúncia - lovôs)

Termo padronizado no Brasil: MIOCÁRDIO

Inglês: Myocardium

Termo(s) no I.G.A.: µυς (pronúncia - mi) "pequeno rato" / καρδιά (pronúncia - cardiá) "coração"

Termo correspondente no I.G.M.: µυοκάρδιο (pronúncia - miocárdio)

Termo padronizado no Brasil: MIOLOGIA

Inglês: Myology

Termo(s) no I.G.A.: µυς (pronúncia - mis) "pequeno rato" / λογια (pronúncia - loguía) "tratado, discurso"

Termo correspondente no I.G.M.: µυολογία (pronúncia - miologuía)

Termo padronizado no Brasil: PARASSIMPÁTICO

Inglês: Parasympathetic

Termo(s) no I.G.A.: παρα (pronúncia - para) "paralelo a" / συµπαθώ(v.) (pronúncia - simpathô) "me emociono com as emoções de outra pessoa"

Termo correspondente no I.G.M.: παρασυµπαθητικός (pronúncia - parassimbathitikôs)

Termo padronizado no Brasil: PERICÁRDIO

Inglês: Pericardium

Termo(s) no I.G.A.: περικαρδίου (pronúncia - perikardíu) "ao redor do coração"

Termo correspondente no I.G.M.: περικάρδιο (pronúncia - perikárdio)

Termo padronizado no Brasil: SIMPÁTICO

Inglês: Sympathetic

Termo(s) no I.G.A.: συµπαθώ(v.) (pronúncia - simpathô) "me emociono com as emoções de outra pessoa"

Termo correspondente no I.G.M.: συµπαθητικός (pronúncia - simbathitikôs)

Termo padronizado no Brasil: TRÍGONO (TRÍGONO FIBROSO - DIREITO E ESQUERDO DO CORAÇÃO)

Inglês: Trigonum

Termo(s) no I.G.A.: τρι- "três" / γονία (pronúncia - gonía) "joelho, ângulo"

Termo correspondente no I.G.M.: τρίγωνο (pronúncia: trígono)

 

DISCUSSÃO

A evolução de um idioma é algo extremamente dinâmico, o que causa certa dificuldade para o entendimento do significado real de um termo. As palavras mencionadas devem ser relacionadas aos sentimentos, aos valores culturais agregados e aos costumes de cada civilização [4,9]. Quando se trata de um idioma tão antigo como o grego, os termos nascem com um propósito e ao longo dos séculos podem adquirir outro totalmente diferente [9]. A antropóloga Ruth Benedict em seu livro, O Crisântemo e a Espada, escreveu em 1946 que a cultura é como uma lente através da qual vemos o mundo. "As lentes através das quais uma nação olha a vida não são as mesmas que outra usa. É difícil ser consciente com os olhos através dos quais olhamos" (Benedict, 2002). O termo soma, por exemplo, que na Grécia moderna sempre significou corpo, no grego antigo de Homero não tinha esse significado, aliás, não tinha significado algum no homem vivo. A palavra soma só passava a existir após a morte, ou seja, o significado mais próximo, transferido para os dias de hoje, seria "cadáver" [9,27]. Conforme cita Giovanni Reale em sua obra: "a linguagem é muito mais que um instrumento com o qual o pensamento exprime a coisa, à medida que é a própria linguagem que traz à luz a coisa e permite ao pensamento pensá-la. Uma língua não é nunca passível de tradução perfeita em outra porque para alcançar a compreensão e a expressão perfeita das mensagens comunicadas com aquela linguagem, seria preciso ser diretamente participante do mundo que se exprime naquela linguagem" [9].

Cardio é um termo utilizado desde a Grécia Antiga com o mesmo significado: "coração". A verdadeira origem do termo se encontra no radical 'kerd', do Idioma Indo-Europeu, que já tinha o significado de coração [4]. O mesmo termo, kerd, também é encontrado nos épicos de Homero como um sinônimo de cardio [9]. Na Grécia Antiga, além de órgão físico, era entendido também como órgão do sentimento, assim relatado muitas vezes na escrita antiga. Até determinado período da antiguidade, os gregos acreditavam que a parte central do intelecto humano se encontrava no coração. Por ser o órgão que responde prontamente a toda emoção forte, vários sentimentos foram atribuídos a ele, como alegria, dor, medo, ódio, ternura, etc [4,9]. Resquícios desse pensamento perduram até hoje conforme o coração é citado como órgão dos sentimentos, porém, sempre metaforicamente. Já para o homem homérico, esses sentimentos eram funções próprias do coração.

No Brasil, via de regra, os termos anatômicos simples derivam do latim, enquanto que os compostos derivam do grego. Cardio, portanto, só é encontrado como uma forma de combinação [16]. É o que ocorre em Cardiogênico, Cardiologia, Cardiograma, etc. Na terminologia anatômica internacional, o termo encontrado é cárdia, que deriva do mesmo radical grego, porém é utilizado para designar a abertura superior do estômago [2,3,14]. Conforme Jean Riolan, o termo cárdia era utilizado pelos antigos como sinônimo de boca do estômago [14].

Muitos dos termos anatomocardiológicos que utilizamos hoje, como, por exemplo, angiologia, anastomose e anatomia, foram criados na França, que tomou por empréstimo os radicais do I.G.A. [3,4]. O termo anastomose, utilizado na medicina, foi criado na França a partir de termos gregos e designa a comunicação entre dois órgãos com cavidades ocas, o que pode ocorrer de forma natural, por doença ou cirurgicamente. Galvão [11] o traduz como ação de desembocar. Fernandes [14] coloca de outra forma: "através das bocas". Etimologicamente, o termo provém de dois radicais do I.G.A., αÌνα "para cima, repetidamente, seguidamente, continuamente" e στόµα "boca", com esse mesmo significado desde o idioma Indo-europeu `stom-em`: "boca" [3].

Angiologia provém dos radicais 'άγγος' e λέγω(v.). O termo αγγείο do I.G.M. possui significados como: recipiente para armazenamento ou transporte de líquidos (jarra); os tubos condutores no organismo que conduzem sangue ou outro líquido orgânico (artérias, veias, vasos linfáticos) [3,6,16]. No I.G.A., o radical άγγος tinha o significado de "compartimento, pote, vaso, ânfora". Λόγος provém de λέγω(v.) "discurso, fala" [3,4,6]. Apesar de derivar do I.G.A., o termo angiologia foi criado na França como 'angiologie'. Houve modificação da grafia, o que facilitou a pronúncia e a utilização do radical no Brasil. A semântica foi mantida.

O termo "anatômico" é utilizado tanto no Brasil como na Grécia moderna (ανατοµικό) e traz como significado: tudo o que se relaciona à anatomia. O termo anatomia foi criado na França por empréstimo dos radicais do I.G.A. ana (αÌνα) "de baixo para cima, repetidamente" e têmno (τέµνω) "corto, abro" [3,14]. Como ciência que estuda as diversas estruturas do corpo, passou a ser utilizado na Grécia, a partir de 1738 [3]. Foi traduzido por Edgar A. M. Morales: "cortar por todos os lados um corpo animal a fim de ver suas formas e estudar suas diversas partes" [26].

Artéria é utilizada tanto no I.G.M., αρτηρία, como no Brasil, artéria. Considerada pelos antigos como "condutores de ar, aeir + thirón", já que não se encontrava sangue nas artérias após a morte [14]. Um significado primitivo foi "traquéia", na época de Aristóteles foi chamada de trachea-artéria [11]. Porém, o radical mais primitivo, a verdadeira origem no I.G.A. é 'αρτώ (pronúncia - artô), que significa "penduro, seguro ao alto" [2,3,6]. Há ligação deste com o radical 'αείρω', que significa "flutúo, elevo, ligo, encaixo", consequentemente, relaciona-se com o termo aorta. O termo αέρα (pronúncia - aéra), que significa "ar", também provém de 'αείρω' [3]. Aorta, da mesma forma, é utilizado tanto no I.G.M. "αορτή" como no Brasil "aorta". O termo do I.G.A., "αείρω" (v.), suspendo, elevo, ligo, encaixo, originou o substantivo αορτήρ (pronúncia - aortír), suspensor [3]. Dessa forma, a aorta poderia ser definida como a artéria que liga (une) o coração a toda a árvore arterial, como sendo o local de 'encaixe' de todo o sistema ao coração. Aristóteles definia como flebos aorté, que se traduz como veia carregada ou suspensa [11].

O termo bronco utilizado na anatomia humana traz o mesmo significado tanto no I.G.M. quanto no Brasil. Sua etimologia é incerta. Porém, por analogia linguística, é possível relacionar o termo padronizado no Brasil e na Grécia, com o verbo do I.G.A. βρόχω, que significa "engolo, devoro". As origens do termo coronária se encontram no I.G.A., κορώνη (pronúncia koróni), e tem como significado "gralha" ou "recurvo" [3,18,19]. O termo utilizado hoje no Brasil provém de 'Corona', que no Latim trazia o significado de coroa, porém, foi emprestado do I.G.A., no qual era definido como recurvo ou corvo [3,18,19]. No I.G.M., o termo correspondente a coronária é `stefaniaia`, que provém de stephané (pronúncia stefanê), que significa coroa. Apesar do termo ser utilizado até mesmo na Grécia com o significado de coroa (stefaniaia), sua etimologia se encontra no grego antigo κορώνη, que significava `recurvo` [3,18,19]. Etimologicamente, o termo poderia ser traduzido como `formato recurvo como o bico de um corvo`.

O termo autônomo é utilizado desde a Grécia Antiga 'αυτόνοµος' (pronúncia aftônomos) com o significado de "algo ou alguém que é regido por suas próprias leis, não depende de outro, independente" [1,3,6,7]. No I.G.M., o termo correspondente é o mesmo: αυτόνοµος (pronúncia - aftônomos). Provém dos termos do I.G.A. αυτό "próprio, por conta própria" e νόµος "lei". Foi utilizado também na área da filosofia para designar a independência da vontade em relação a um objeto de desejo e a sua capacidade de determinar-se conforme uma lei própria [1]. O termo cirúrgico, χειρουργικός em grego (pronúncia: quirurguikôs), é utilizado na medicina desde a Grécia Antiga. Provém dos radicais do I.G.A χεíρ- (pronúncia aproximada: quir), que significa "mão", εργον, que significa "trabalho" e do sufixo - ικός "relativo a" [3,

O termo κλινικός (clínico) é utilizado na medicina, tanto na Grécia quanto no Brasil com o mesmo significado: "o que é relativo à prática médica para a terapia do paciente". O termo com esse significado é relativamente novo e surgiu na França a partir do termo "clinique". Galeno, séculos antes, já se referia à 'κλίνη como "leito de hospital". Provém do termo grego antigo κλίνη, que tinha o significado de "leito de hospital" e -ικος "relativo à". Todos os termos relacionados (clínica, clínico, clinoide, etc) derivam do mesmo radical do I.G.A. κλίνη, que, por sua vez, provém de κλίνω (v.), também do I.G.A, que significa "inclino, faço inclinar". Em escritas antigas, refere-se especificamente à inclinação do corpo em qualquer direção a partir da ortostase: inclino, declino, me deito.

Diafragma é utilizado na área da anatomia humana para designar o principal músculo respiratório, que separa os compartimentos torácico e abdominal. Provém do termo 'διαφράσω' (v.), do idioma grego, que significa "faço barreira, separo com uma barreira" [1,3]. Provém dos radicais Ana: 'através de' e frásson: 'cerco' [1,3,16]. Emboliforme é um termo híbrido (de natureza confusa), que provém do radical grego έµβολο (pronúncia Ênvolo). Também utilizado no Brasil e tem o significado médico de "massa de sangue coagulado ou qualquer substância não dissolvida na corrente sanguínea capaz de obstruir o fluxo sanguíneo". Embora seja traduzida por muitos autores como `cunha`, a verdadeira origem do termo εµβάλλω do I.G.A. é "coloco para dentro" [3]. O termo foi utilizado por Hipócrates para designar a recolocação de um osso no lugar [12]. É proveniente de dois radicais também do I.G.A., ev (pronúncia - en) que tinha o significado de "dentro de, parte de" e βάλλω (v.) que significava "coloco" [3,6]. Utilizado como "coloco" já nos textos Homéricos. Atualmente, na Grécia, o termo eµβολiο significa vacina (eµβολia no plural).

O prefixo endo, no grego antigo 'ένδον' (pronúncia - éndon) que aparece em endocárdio, endotélio, endotorácica, é um termo composto. Provém de dois radicais do I.G.A., ev (pronúncia en) que significava "dentro de" e -δον que significava "casa", "dentro de casa" [3,6]. Porém, esse radical utilizado para casa trazia um sentido "metafórico", remetendo ao nosso ambiente mais íntimo, o ambiente interno do corpo [1,3]. Transcrevendo de acordo com o emprego do termo nos textos antigos, chega-se ao significado de "dentro do próprio corpo". Peri de pericárdio, assim como endo, é um prefixo comum nos termos derivados do idioma grego. Provém de πέριξ do I.G.A. (pronúncia - périks) que tinha o significado de "ao redor de, por todos os lados de" [3,16] No I.G.M., περί (pronúncia - perí) e traz os significados: a respeito de; mais ou menos; por volta de; ao redor de ou perto de [16]. Endotélio provém dos termos do I.G.A., ένδον "dentro do corpo" e θηλή, "mamilo", do IGA, θηλώ: "chupo, amamento". O termo θηλώ é relacionado ao sexo feminino. Do mesmo radical forma-se a palavra "feminino" no idioma grego: θηλυκός (pronúncia - thilikôs). Torax (θώραξ) de endotorácico na Grécia antiga tinha o significado de "armadura". Se referia a um tipo de armadura de couro ou de metal que protegia a região torácica e as costas dos guerreiros.

Simpático provém do termo, já utilizado no I.G.A., συµπαθώ(v.) (pronúncia: simbathô), que teve como primeiro significado 'me emociono com as emoções de outra pessoa; sinto as dores de outra pessoa'. É composto pelos radicais antigos συµ "com, junto" e πάθσκω (pronúncia páthsco), que significa 'sofro' (termo ligado a sofrimento causado por doença) [2,3,6]. O prefixo παρα (pronúncia - para), de parassimpático, é bastante comum no idioma grego. Trazia como significado "ao lado de, paralelo a". No I.G.M., παρά (pronúncia - pará) traz vários significados: contrário a; diminuição; falta; menos; exceção ou imposição (não quero nada παρά (além de) sua ajuda); alternância [dia παρά dia (dia sim dia não)]; perto de; longe de e ao lado de [16].

Esplâncnico (σπλαγχνικός) é o que "refere-se às vísceras". Provém do termo do I.G.A. σπλάγχνο, que tem o significado de "víscera". O termo relaciona-se também ao termo σπλήν (pronúncia - splín) com significado semelhante no I.G.A. No I.G.M., o termo σπλάγχνο se refere às vísceras e σπλήν, ao baço. O termo lobos (λοβός), tanto na Grécia, quanto no Brasil, é utilizado na anatomia humana para designar cada uma das partes de um mesmo órgão separada por uma fissura. Provém de 'λοβός', do I.G.A., que tinha o significado de "saliências arredondadas separadas por uma fissura ou um corte" [3].

O termo linfa, que provém do grego antigo nínfi, chegou ao Brasil por meio do latim limpha. Traduziu-se por muitos autores como água [3,12]. Nínfes, porém, eram seres mitológicos jovens que trajavam branco e frequentavam fontes, rios, árvores e cavernas. Do mesmo termo, provém o termo nífi, que significa noiva. A ligação dos termos análogos do idioma grego se faz por meio das palavras "frescor, juventude, clareza, limpidez" [3,6]. O radical télio (do grego θήλιο) como encontrado em endotélio e epitélio, na maioria dos trabalhos de etimologia grega, é encontrado como "mamilo" [1,15,16] devido à semelhança desse tipo de tecido com os mamilos [15]. Conforme as obras gregas, o radical tem suas raízes no idioma indoeuropeu com o significado de "chupo, amamento" [3].

Os termos phren (singular) ou phrenes (plural), desde de Homero até a época dos grandes filósofos gregos, foram citados várias vezes e com significados muito divergentes. Em parte o termo aparece ligado a um órgão físico, porém, na maioria das vezes, aparece ligado a emoções e de uma forma geral, à mente [1,8]. O termo phren também aparece como diafragma [8], porém essa não parece ser a primeira definição ou tradução dada por Homero que, na maioria das passagens, relaciona o termo a variados sentimentos e emoções. Assim pode-se entender porque muitas vezes se encontra traduzido como "coração". Phren é encontrado com dois significados: mente e coração [3,8]. Apesar de na maioria das passagens dos épicos de Homero ser encontrado como mente, na ilíada também aparece com o significado de coração [8]. Uma explicação convincente para essa tradução do termo phren como diafrágma ou coração existiu em determinado período da antiguidade, em que os gregos consideravam o diafragma, nas proximidades com o coração, como sendo o centro do intelecto! [4,8].

 

CONCLUSÃO

Dos termos provenientes do idioma grego, a maioria foi criada fora da Grécia, tomando por empréstimo os radicais do I.G.A. Por meio de uma busca nas origens do idioma grego, verifica-se grande divergência entre o significado etimológico percebido pelos autores e a etimologia dos radicais do I.G.A que compõem os termos anatomocardiológicos internacionalmente padronizados.

Não são poucas as pesquisas que tratam da origem verdadeira das palavras (etimologia), porém, a maioria não vai muito além do nascimento do termo, que normalmente é composto por dois ou mais radicais do I.G.A. Muitos termos foram analisados de acordo com o significado dado a eles na época de sua criação, deixando de lado a análise dos radicais originários. Obviamente não se pode chegar a conclusões absolutas nessa área específica, porém, para essa busca é preciso considerar os preceitos de analogia e a linguística, especialmente para um idioma tão complexo como o grego antigo. O presente trabalho comparou as maiores obras mundiais relativas à etimologia dos termos gregos, publicadas em vários idiomas, inclusive citações sobre as mais primitivas fontes do I.G.A: os épicos de Homero. Dessa forma, foi possível esclarecer algumas divergências entre a verdadeira origem dos termos anatomocardiológicos e as mais aceitas hoje no Brasil, pelos profissionais da saúde.

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27. Kemp K. Corpo modificado, corpo livre? Questões fundamentais do ser humano. São Paulo: Paulus; 2005.

APÊNDICE: PREFIXOS E SUFIXOS COMUNS

A - AN

Radical do I.G.A.: α - αν [pronúncia - an (quando antes de vogal)]

No I.G.M.: α - αν [pronúncia - an (quando antes de vogal)]

Tanto no I.G.A. quanto no I.G.M., o radical indica "negação, isenção".

ANA

Radical no I.G.A.: ανα (pronúncia - aná) - "de baixo para cima, movimento para cima" ou "algo que ocorre pela primeira vez ou seguidamente" Etimologia incerta

No I.G.M.: ανα (pronúncia - aná) - indica algo que 1-sobe, movimenta-se para cima; 2-acontece continuamente; 3- separação em partes; 4- distribuição por um espaço; 5- distribuição por um período de tempo.

APO

Radical no I.G.A.: από (pronúncia - apô) "longe de, separado de, fora de"

No I.G.M.: από (pronúncia - apô). Indicação de: 1- local de início; 2- tempo de início; 3- comparativo; 4- causa.

EN

Radical no I.G.A.: ev (pronúncia - en) Significado 1- dentro de, parte de; 2- durante, enquanto.

No I.G.M.: ev (pronúncia - em) Indica 1- dentro, entrada; 2- soma, conquista, posse; 3- aumento de.

ENDOS

Radical do I.G.A.: ένδον (pronúncia - endós). Etimologicamente o termo provém de ev (pronúncia - en), que significava "dentro de" e -δον que significava "casa", "dentro de casa". Porém, os achados arqueológicos do idioma grego, remetem ao significado de "dentro do próprio corpo".

No I.G.M.: ενδο (pronúncia - endo) Significado "dentro".

EPI

Radical no I.G.A.: επί (pronúncia - epí). Indica 1-em cima, por cima; 2- soma; 3-imediatamente após, depois de.

No I.G.M.: epí (pronúncia - epí). Indica: 1-em cima, por cima; 2-soma; 3- algo a mais, o melhor de um grupo; 4- imediatamente após, depois de.

HIPO

Radical do I.G.A.: υπο (pronúncia - ipo) Significado: "embaixo, abaixo de"

No I.G.M.: υπό - υπ (pronúncia - ipô) Significado: 1- embaixo, abaixo de; 2- sob o efeito de; 3- ocupa um lugar hierarquicamente mais baixo; 4- acontece de forma escondida, por debaixo do pano, acontece em níveis menores; 5- movimento para trás, volta; 6- existe em pouca quantidade ou por pouco tempo; 7- é caracterizado por insuficiência, falta, está abaixo do limite; 8- indica algo mais intenso que o normal.

ÍDE (OIDE)

Radical do I.G.A.: eídos (pronúncia - ídos) Significado: "formato". Proveniência I.E. 'weid' (provável pronúncia na Grécia Antiga - oid) "conheço, vejo"

No I.G.M.: eídos (pronúncia - ídos) Significado "em forma de, como um(a)" também utilizado na Biologia humana como "espécie".

LOGOS

Radical no I.G.A.: λόγος (logos) que provém de 'λέγω' (lêgo) Significado "reúno, concentro informação" e a partir daí "falo"

No I.G.M.: λέγω (pronúncia - lêgo) Significado "expresso algo por meio da fala".

MI(O)- / MY(O)-

Forma de combinação que denota relação ao músculo.

OIDE

Radical no I.G.A.: eidos (pronúncia - idôs) - O primeiro significado de 'eidos' no I.G.A. foi 'formato, em forma de' Provável ligação com o termo 'weid' do I.I.E. que significava 'conheço, vejo' No I.G.M.: 1- em forma de; 2- espécie ou tipo de.

PARA

Radical no I.G.A.: παρα (pronúncia - para) - Significado "ao lado, paralelo"

No I.G.M.: παρά (pronúncia - pará) - Indica 1- contrário a; 2- diminuição, falta, menos (perdeu o jogo παρά (por) 5 pontos); 3- exceção ou imposição (não quero nada παρά (além de) sua ajuda); 4- alternância [dia παρά dia (a cada dois dias)]; 5-local: posição em relação a algo (perto, longe, ao lado de).

PERI

Radical no I.G.A.: πέριξ (pronúncia - périks) Significado "ao redor de, por todos os lados de"

No I.G.M.: περί (pronúncia - perí) Significados 1- a respeito de; 2- mais ou menos, por volta de; 3- ao redor de, perto de.

SIN-

Radical no I.G.A.: ξύν (pronúncia - ksín) Significado "com, junto"

No I.G.M.: συν- (pronúncia - sín) também utilizado nas formas συ-, συµ-, συγ-, συλ-, συσ e συρ. Indica: 1- que algo acontece em conjunto ou com a ajuda de outro(s); 2- característica comum em mais de um objeto ou pessoa; 3- relação com mais de uma coisa ou pessoa.

Article receive on quarta-feira, 4 de abril de 2012

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